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União Européia joga a cidade sustentável contra a utopia da "cidade nova"

Por Grégoire Allix
27/11/2008


Está enterrada a utopia das cidades novas ideais criadas do nada, defendida nos últimos
anos por Dominique Strauss-Kahn ou Nicolas Sarkozy! O Ministério da Ecologia, da Energia,
do Desenvolvimento Sustentável e do Planejamento Territorial (Meedat na sigla em francês)
implementa atualmente um "procedimento ecocidades" para acompanhar o surgimento de cidades
ecológicas modelos: "cidades existentes que planejam um crescimento urbano da ordem de 50
mil habitantes em uma geração, no prolongamento das construções existentes ou em faixas
urbanas requalificadas, exemplares em termos de desenvolvimento sustentável e de
transportes coletivos".

Por seu lado, a Europa quer se dotar de um "quadro de referência para a implementação da
Carta de Leipzig sobre a cidade européia sustentável (adotada em 2007), a política de
desenvolvimento urbano sustentável e solidária e a conscientização da mudança climática
nas cidades". Uma declaração nesse sentido foi adotada nesta terça-feira (25) depois de
uma reunião informal dos ministros europeus do Desenvolvimento Urbano e do Planejamento
Territorial em Marselha, no âmbito da presidência francesa da UE.

A França se mostra ainda mais determinada sobre esses assuntos porque só os abordou
recentemente e demonstra um sério atraso nesse sentido. Quem quer falar de bairros
"sustentáveis" na Europa citará Vauban em Freiburg, BedZed na Inglaterra, BO01 em
Malmö ou Hammarby Sjöstad em Estocolmo. Nunca a França. O objetivo da declaração
marselhesa: "Construir coletivamente utensílios de implementação operacional e
colocá-los à disposição das cidades, da comunidade científica e técnica, do setor
privado, das organizações não-governamentais que representam os habitantes
e os usuários".

Esse trabalho de estudo e difusão é feito pela Rede Européia por um Desenvolvimento
Urbano Sustentável por seu lado desde 2004. Para sua presidente, Catherine Charlot-
Valdieu, "existe uma verdadeira necessidade de informação dos atores da cidade. Os
ensinamentos dos programas urbanos financiados pela Europa muitas vezes ficam nos
armários. Infelizmente, a Europa financia realizações modelo, que melhoram a imagem
dos eleitos, mas não busca definir boas políticas urbanas".

"Não se trata de elaborar normas. Desejamos criar um instrumento flexível, propor
aos atores locais esboços de reações, exemplos implantados em nossos países membros,
indicadores que lhes permitam situar seu procedimento", explica Hubert Falco. O
secretário de Estado para o Planejamento Territorial propôs que a França assuma a
chefia do grupo de trabalho europeu. Ele também convidou seus homólogos dos 27 para
aderir a uma "plataforma de competências, de formação e de troca de experiências
entre os atores do desenvolvimento urbano" criada pela União para o Mediterrâneo.

"Ecobairros" em gestação

A Declaração de Marselha faz eco às recentes iniciativas do Meedat. Jean-Louis
Borloo apresentou no Conselho de Ministros em 22 de outubro um "plano para cidades
sustentáveis" que visa "favorecer o surgimento de uma nova maneira de conceber,
construir, fazer evoluir e administrar a cidade", quer se trate de ecobairros ou,
em escala maior, "ecocidades".

O Grenelle do Meio Ambiente [conjunto de encontros políticos realizados na França
em outubro de 2007] prevê a construção de um ecobairro em todo programa de
"desenvolvimento significativo do hábitat". Cerca de 20 desses ecobairros estão
em gestação, de Paris a Grenoble, de Douai a Angers. Mas nenhuma definição os
regulamenta e o Meedat se confessa incapaz de nomeá-los com precisão.

"Existe uma fusão de projetos que reúnem realidades muito variadas", observam
no gabinete de Falco. "A denominação "ecobairro" às vezes parece um rótulo de
comunicação. Nós tentamos reestruturar todas essas iniciativas, fundir os
conhecimentos e as boas práticas, criando um clube de voluntários através
do "concurso ecobairros"."

Tradução: Luiz Roberto Mendes Gonçalves

Data: 27/11/2008 – Fonte: Uol